A maturidade é uma das virtudes mais almejadas por muitas pessoas. Além de uma mera aquisição de experiência que é inevitável conforme envelhecemos, a maturidade consiste no resultado de um processo: o de integrar aprendizagens e responder adequadamente a elas, um processo que ocorre desde a nossa infância.
Na realidade, o conceito de maturidade é bastante ambíguo, relativo ou vago. Por isso, não fica completamente claro se o que predomina nela é o componente emocional – ou seja, se a maturidade é uma maneira especial de experimentar as coisas que acontecem – ou se, pelo contrário, tem características mais cognitivas: mais mentais ou próprias do pensamento.
O Dicionário Aulete parece ser mais inclinado para essa segunda possibilidade, em sua definição de maturidade, indicando que se trata de “ação ou ponderação de pessoa madura; prudência; siso”. Seguindo essa definição, as pessoas maduras racionalizam com habilidade, não se metem em confusões desnecessárias e são capazes, portanto, de tomar boas decisões.
Contudo, uma definição mais aprofundada do conceito de maturidade iria requerer realizar uma série de interseções entre diferentes características, por exemplo, a sabedoria, o conhecimento, a temperança e a inteligência. O que fica claro é que a maturidade é uma mistura borrada de aspectos mentais e emocionais.
Está claro que todas as pessoas têm mais ou menos maturidade em função de muitos fatores: a educação que recebemos, as coisas pelas quais passamos ao longo da vida e como processamos todo esse amálgama – a que conclusões fomos chegando e que impacto esses acontecimentos tiveram sobre nós.
Seja como for, calma: a maturidade total não existe. Não há ninguém que seja cem por cento “maduro”, assim como não há ninguém cem por cento valente, inteligente ou simpático. Na verdade, todas as pessoas têm uma parte de nós mais imatura, ou seja, que está “mais verde”.
Essa cara, que faz muita gente se sentir culpada ou que trata de neutralizar por todos os meios, tem a ver com nossa vulnerabilidade, com nossa parte mais infantil e, portanto, mais dependente e irresponsável. Nossa parte imatura se alimenta, também, daquelas coisas que não conseguimos superar ou que ainda não aprendemos a tolerar e faz com que, ocasionalmente, não nos comportemos da forma mais brilhante possível ou que nos desgastem excessivamente.
A seguir, para que aprofundemos um pouco mais o conceito de maturidade e para que você consiga se reconhecer em alguma de suas facetas, indicamos 10 características próprias da pessoa madura.
Ela se responsabiliza pelas consequências de seus atos. A pessoa com um bom nível de maturidade admite seus erros, não tenta maquiá-los.
Reage de maneira ponderada. É equilibrada e justa. Ainda que experimente e conheça isso de maneira consciente, não se deixa dominar por seu medo nem entra em pânico com facilidade. Tem uma capacidade adequada de dominar suas emoções sem estrangulá-las.
Coloca em prática o que aprendeu. A maturidade tem a ver com a inteligência e a inteligência é, entre outras coisas, a capacidade de aprender a partir da experiência. Por isso, a pessoa madura tem perspectiva consciente de sua própria vida e a utiliza para tomar decisões. Não se limita a reclamar. Tende ao otimismo.
Conhece seus limites e calcula adequadamente os riscos razoáveis de uma ação. Inova sem forçar. Não assume mais do que pode suportar. É atrevida, mas prudente, não é temerária.
Leva em conta sua influência sobre os outros e não tenta se aproveitar de sua posição nem dos seus conhecimentos. Não trapaceia. Além disso, a pessoa madura sabe escutar. Não se concentra somente em si mesma, mas leva em conta os demais. É consciente de que pode aprender com outras pessoas e busca uma visão global dos acontecimentos.
É resistente, o que permite amortizar o impacto de muitas coisas negativas que acontecem em sua vida. Na verdade, soube aproveitar o potencial de suas experiências negativas para se fortalecer, em vez de se debilitar ou endurecer. A pessoa madura é resiliente.
Sabe administrar sua vida de maneira autônoma de acordo com suas capacidades. É hábil. Sabe pedir ajuda, mas não faz isso de modo lamentável. Não se posiciona como uma vítima, mas sim é capaz de estabelecer pontes saudáveis de colaboração mútua com outras pessoas.
Não faz chantagem emocional. Seu estilo comunicativo na hora de expressar suas necessidades e pedir responsabilidades aos outros é marcado pela assertividade. É capaz de se fazer respeitar sem “perder a cabeça” e sem agredir os outros, nem sequer sutilmente.
Sabe desfrutar e se esforça para isso Reserva tempo para seus próprios prazeres e encontra espaço suficiente em sua vida para a diversão.
Cumpre adequadamente suas responsabilidades e obrigações. Não coloca em risco grave as coisas importantes de sua vida, a não ser que seja por razões sérias. É formal, digna de confiança, sabe cuidar de si mesma.Conhecer o que consiste a maturidade pode ajudar você a ser consciente das suas virtudes e suas necessidades. Também a ser benevolente com a forma que as outras pessoas têm para fazer a vida funcionar. Pense que tanto você como elas são pessoas que tentam crescer e se comportar de uma maneira mais madura, dentro de suas capacidades. Um passo de cada vez.